segunda-feira, 5 de setembro de 2016

BGS: Detroit: Become Human pode ser um marco nos jogos de narrativa

Uma das grandes novidades do palco da Sony na BGS deste ano foi a apresentação em portas fechadas de Detroit: Become Human, jogo anunciado durante a E3 de 2015 e que conta com pouquíssimas informações até o momento. Nós tivemos a honra de conferir um pouco mais sobre a experiência e vamos detalhar abaixo o que achamos.
Se a memória está um pouco falha e você não se lembra do que se trata, vamos explicar: o game é a nova aposta da Quantic Dream, criadora de Heavy Rain e Beyond Two Souls, no ramo de narrativas emocionais e recheadas de decisões morais. A história se passa em um futuro breve no qual os androides são uma parte comum da sociedade e presente nos lares de muitas famílias e nos empregos cotidianos. Porém, algo começa a dar errado, dando o pontapé inicial para o enredo.

Uma obra madura com pitadas de Blade Runner

A premissa de Detroit: Become Human é a de um universo com facilidades e recheado de tecnologia de ponta, como androides, que perambulam pela cidade homônima, realizando diversos serviços. Trata-se de máquinas que têm a experiência de humanos adultos e agilidade, força e rapidez de pensamento equivalentes às de super-heróis, mas não contam com nenhuma emoção, algo que começa a mudar.
Por algum motivo, os equipamentos humanoides começam a apresentar bugs (ou seriam ações premeditadas por alguém?) que os concedem emoções ou representações de sentimentos em forma de códigos binários. Em outras palavras, são “pessoas” que recebem um choque de informações enorme e não sabem como lidar com isso. Se um robô mata alguém, ele se torna réu ou sucata na seção de produtos defeituosos?
A emoção rola solta no game
Inveja, raiva, medo, amor: como um androide, que sempre foi visto como um objeto, um computador ambulante e um escravo da sociedade, reage aos estímulos emulados por seus processadores? Essa é a abordagem da Quantic Dream, que retratará tabus, conflitos de ideologias e, talvez, a discussão do fator ‘humano” e emocional da vida.

Decisões, decisões...

Se você gosta do alicerce bem construído e delineado da Quantic Dream com as decisões morais dúbias, saiba que algo muito mais refinado e arrojado está por vir em Detroit. Escolher entre quatro opções é uma tarefa comum e frequente na jogatina, diferente dos esporádicos balões de diálogos de Heavy Rain.
A jogabilidade de Detroit: Become Human é muito mais voltada à exploração de cenário e análise do ambiente. Durante a demonstração que fomos convidados a assistir, o protagonista da vez era Connor, um android e também negociador da polícia da cidade. Um outro robô perdeu o senso de serviço e lealdade, surtou e matou uma pessoa e tornou uma garotinha de refém na cobertura de um prédio.
A sua missão é coletar o maior número de provas possíveis para usar durante a intermediação da polícia de Detroit com a máquina descontrolada. Cada objeto pode ser analisado e investigado, levando os jogadores a reconstruir cenas passadas, igual ao que fazemos em Batman: Arkham Knight.
Encontrar as evidências-chave podem ajudá-lo a ter mais chances de resolver a situação da melhor forma possível. Há um medidor que é exibido de tempos em tempos para revelar as suas chances e sucesso. Contudo, demorar demais também pode ser nocivo, pois o tempo está correndo e há muita coisa em jogo.
Há muitas, muitas formas de resolver um problema, e cada uma delas garante um desfecho diferente para a cena
Há múltiplas formas de resolver cada ação do game, e nem sempre você terá o resultado que espera. O intuito de Detroit é que você possa revisitar a mesma missão mais vezes, e ver qual outro desfecho você encontraria se tomasse escolhas distintas. Há algo muito importante aqui: cada página virada da aventura traz “mudanças vitalícias” à narrativa, alterando todo o percurso seguinte e gerando um final diferente.

Sem limite de tempo: há “pressão” de tempo

Conforme supracitado, o produtor de Detroit nos explicou que os capítulos do jogo não contam com limites de tempo para serem realizados, mas sim pressões externas que podem impactar a sua experiência. Demorar demais em uma negociação pode ser nocivo ao resultado positivo, por exemplo.
Portanto, não há uma contagem regressiva aqui. Você pode tomar o tempo que precisar para investigar os elementos do cenário (no caso de Connor), mas há um contrapeso que também pode atrapalhar o seu desempenho.
Note a "probabilidade de sucesso em 58%" na imagem

Quando os gráficos importam

Kara foi algo muito citado pelo produtor durante a seção em portas fechadas. A demonstração técnica foi revelada há alguns anos e se tornou o alicerce da nova game engine da Quantic Dream, que está acoplada ao DNA de Detroit: Become Human. O poder de fogo da nova (atual) geração está estampado em cada expressão facial dos personagens.
As expressões faciais são essenciais para a construção emocional da obra
O progresso técnico fica visivelmente delineado nas dobraduras e realismo da pele dos personagens, itens essenciais para reproduzir com fidelidade a emoção. Durante alguns momentos, vimos quedas de frames ocasionais, mas nada que comprometesse a jogatina em um nível crítico.
Em muitos aspectos, Detroit: Become Human parece ser a obra mais ousada e complexa da Quantic Dream até hoje, unindo toda a experiência destes anos para trazer uma narrativa que junta as decisões morais de Heavy Rain com a experiência cinematográfica de Beyond: Two Souls. Infelizmente, o game continua sem uma data de lançamento.
Via: tecmundo
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